Ainda a polêmica sobre o aborto X criminalidade (ou “Le Freak-o-Moron”)

by la3 | January 25, 2007 at 05:27 pm
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Tenho recebido milhares de um ou dois e-mails contestando minha crítica
ao que Políbio Braga escreveu sobre o livro de Steve Levitt e de um outro autor chamado “Freakoconomics” onde o aborto é citado como uma das causas (a mais comentada por sinal) da redução da criminalidade nos EUA durante os anos 90. Minha crítica se valeu muito do que Ann Coulter cita em seu livro
“Godless” sobre a politização das ditas causas da
redução da criminalidade.

Ann
sustenta que a queda se deveu majoritariamente nas políticas
repressoras implantadas principalmente pelos republicanos nos anos 90
– especialmente no caso mais espetacular de Nova Iorque sob
Giuliani.

Mas
os defensores de Roe vs Wade (o caso que deu origem à decisão
da Suprema Corte americana em 1973 liberando o aborto) citam
exaustivamente o trabalho sério de Levitt no livro
supra-citado.

Não
li o livro e isto tem sido o cavalho de batalha desde então.


Obtive
na internet o
trabalho de Steve Levitt intitulado “Understanding Why Crime
Fell in the 1990s: Four Factors that Explain the Decline and Six that
Do Not”,
que parece ser o
cerne do argumento exposto no livro.

Levitt
“separa” o que ele acredita que tenha a ver com a queda e os
fatores que ele acredita que não.

Entre
os que ele coloca como os responsáveis estão (na ordem
que ele mesmo menciona)

  1. Aumento
    do efetivo policial

  2. Aumento
    da população carcerária

  3. Término
    da onde epidêmica do crack

  4. Legalização
    do aborto

E
os fatores que ele acredita que não tiveram influência
sobre as estatísticas

  1. Boom
    econômico dos anos 90

  2. Envelhecimento
    da população

  3. Melhoria
    nas estratégias policiais(efeito Giuliani)

  4. Leis
    proibindo o porte de armas

  5. Leis
    permitindo o porte de armas

  6. Aumento
    no número de penas de morte

Analisando
o documento, tiro a minha conclusão de que é
completamente tendencioso.

Vejamos:

Dos
pontos tidos como responsáveis pela queda, número um e
dois são inquestionáveis. Sobre o aumento da população
carcerária, eu reproduzo o gráfico do estudo abaixo.

http://luis.afonso.googlepages.com/carceration_rate.jpg

O
ponto número 3 é duvidoso. Como a onda do crack
terminou? Me parece que foi fruto dos pontos 1 e 2 do que um fator
“aleatório”. Com mais policiais nas ruas e o aumento da
população carcerária, é óbvio que
muitos trraficantes foram tirados de circulação.


O
ponto 4 é o menos citado no estudo mais o mais comentado. A
liberação do aborto como causa da redução
da criminalidade. Estranhamente sobre este ponto não há
nenhum gráfico mostrando por exemplo o número de
abortos ilegais pré e pós 1973. Nada disso. Apenas isso é citado:


“A
teoria se baseia em duas premissas 1) crianças não
desejadas são mais propensas ao crime e 2) o aborto legalizado
leva a uma redução no número de filhos não
desejados”

E
tome muitos dados sobre a redução no número de
crimes contra a criança onde existe o aborto legalizado.

Na
minha opinião se trata simplesmente não de redução
no crime, mas de não contabilização deles,
afinal o aborto não é um crime contra uma criança
(ainda não nascida)?


Agora
dentre os fatores que “não têm” a ver com a queda
ele cita o efeito Giuliani (número três) como
insignificante.

Isto
é uma mentira deslavada.

Diz
que a taxa já estava caindo desde o início dos anos 90.

Vejamos
o que diz a Ann Coulter em “Godless”:


Mesmo depois do sucesso triunfal de Giuliani, democratas
negaram seu reconhecimento. Aqueles que não acreditam nunca
irão acreditar. Eles começaram dizer que as taxas de
criminalidade já estavam caindo durante a gestão de
Dinkis (prefeito democrata de NY antes de Giuliani) - como se a
redução de 2.154 mortes em 1991 para 1.995 em 1992
fosse o equivalente à Batalha de Midway. Provavelmente foi
erro de totalização”.

No primeiro ano de Giuliani (1993) as taxas de criminalidade
caíram 16% no primeiro ano e mais 14% no segundo.

35% da queda nas taxas nacionais de criminalidade de 1993 a
1995 foram atribuídas somente â redução do
crime em Nova York, durante a gestão de Giuliani e William
Bratton (chefe de polícia)”.

Isto
é “bias” em sua mais perfeita forma. O que Levitt credita
para o aumento extraordinário do número do população
carcerária? A falta de crack para traficar fez os criminosos
se entregarem? É óbvio que a mudança na
estratégia policial sob Giuliani teve sim um efeito no aumento
do número das prisões.

E
mente dizendo que não houve grandes mudanças entre a
“queda” em pouco menos de 160 mortes entre 1991 e 1992 sob Dinkis
e a devastação criminal sob Giuliani.



O
ponto 5 – a permissão de portar armas não ter
peso significativo na redução dos crimes- é
outro furo, mas o pior fica por conta do argumento de número
seis.



A
quatruplicação do número de penas capitais entre os
anos 80 e os 90 é citada como um “fraco desestimulante ao
crime” pois a longa espera no “corredor da morte” com dezenas
de recursos e protelações faz a idéia da morte
distante do possível criminoso.

Nada
é tão falso.

Veja
o gráfico que eu preparei (me pareceu intencional que um dado
estatístico tão importante não tenha sido
agraciado com um gráfico comparativo).http://luis.afonso.googlepages.com/penademorte_eua.jpg

A
diferença é brutal! De 117 nos anos 80 para 478 nos anos 90.Pode ser que o tempo passado no
corredor da morte seja realmente alto, mas o fato é que se
matou quatro vezes mais de criminosos nos anos 90! Será que isso
não tem nenhum efeito na mente e nas intenções
de um futuro criminoso? É óbvio que sim!

Devo
admitir isso mesmo sendo pessoalmente contra a pena de morte.



Conclusão:

O
bias politicamente correto (e democrata) de tal trabalho é
escancarado. Diminui a responsabilidade por todos as iniciativas de
combate direto ao crime, tomando o cuidado de conceder a alguns
pontos (consequências) um peso alto nas causas da queda ao
mesmo tempo que define como irrelevantes as causas primeiras das
consequências, trocando-as pela teoria – sem nenhum dado mais
apurado do que “sugestões” como Levitt a define – da
liberação do aborto como uma das causas principais.

Levitt
é um dedicado pregador de sua religião, o esquerdismo
politicamente correto.

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Levitt

Que tal um cursinho de interpretação de texto, meu jovem tolo?

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