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não podia procurar uma resposta à minha questão no conhecimento racional. A resposta dada pelo conhecimento racional é apenas uma indicação de que só se pode obter uma resposta formulando a questão de maneira diferente
só as minhas emoções a tinham tomado como tal.
a vida não tem sentido, é um mal.
Na verdade, um conhecimento estritamente racional começa, à maneira de Descartes, com uma dúvida absoluta de tudo.
Há algum sentido na minha vida que não seja destruído pela minha morte, que se aproxima inevitavelmente?
Por que hei-de viver? Por que hei-de desejar ou fazer seja o que for?
O que será do que faço hoje e amanhã? O que será da minha vida inteira?
Porquê, então, fazer seja o que for? Como pode alguém não ver isto e viver? É isso que é espantoso! Só é possível viver enquanto a vida nos intoxica; quando ficamos sóbrios não podemos deixar de ver que tudo isto é uma ilusão, uma estúpida ilusão! E isto não é divertido nem espirituoso; é apenas cruel e estúpido.
Os meus feitos, sejam eles quais forem, serão esquecidos mais cedo ou mais tarde, e eu próprio não existirei mais.
Os meus feitos, sejam eles quais forem, serão esquecidos mais cedo ou mais tarde, e eu próprio não existirei mais.
Mas houvesse ou não alguém que se divertia à minha custa, isso não tornava as coisas mais fáceis para mim. Eu não conseguia atribuir qualquer sentido racional a um único acto em toda a minha vida
endo claramente que nada há na vida, que nunca houve e que nunca haverá. "E ele ri-se…"
Não podia deixar de imaginar que algures alguém se divertia, rindo-se de mim e da maneira como vivi
Eu descrevia a minha condição espiritual da seguinte maneira: a minha vida era uma espécie de brincadeira estúpida e perversa que alguém me estava a fazer. Apesar de eu não aceitar a existência de qualquer "Alguém" que me pudesse ter criado, a noção de que alguém me trouxera a este mundo como uma brincadeira estúpida e perversa parecia-me a maneira mais natural de descrever a minha situação.
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